
A crença de que a dor menstrual intensa faz parte da rotina feminina contribui para o atraso no diagnóstico da endometriose, condição frequentemente subdiagnosticada, segundo publicação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Dados divulgados pelo Jornal da USP estimam que a doença atinja entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.
De acordo com estudo publicado no periódico científico Revista Foco, a endometriose é uma condição ginecológica de difícil diagnóstico, com impactos na saúde física, emocional e social das mulheres. A publicação também indica que a apresentação variável dos sintomas está entre os desafios clínicos relacionados à identificação da doença.
O Dr. Victor Rodrigues, médico e cirurgião pélvico, aponta que os sintomas mais frequentes da endometriose são dor pélvica crônica, cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais que coincidem com o período menstrual — como dor para evacuar, diarreia ou constipação —, dor lombar que irradia para membros inferiores e piora durante a menstruação, sintomas urinários e dificuldade para engravidar.
"Esses sintomas costumam ser ignorados ou confundidos com outros problemas de saúde. Muitas pacientes passam anos sendo tratadas com outros diagnósticos, como síndrome do intestino irritável, problemas urinários, lombalgia comum ou apenas ‘alterações hormonais’, sem investigação adequada da endometriose", comenta o médico.
O especialista esclarece que é considerada normal, a cólica menstrual leve, que não interfere nas atividades diárias e melhora com medidas simples, como uso de analgésicos comuns. "Dor intensa, de piora progressiva e/ou incapacitante, levando a falta no trabalho, dificuldade para realizar atividades do dia a dia ou necessidade frequente de medicamentos fortes são sinais para investigação".
Conforme acrescenta o Dr. Victor Rodrigues, dores que começam antes da menstruação e se prolongam por vários dias, associadas a sintomas intestinais, urinários ou dor durante as relações sexuais, merecem investigação especializada. "A dor nunca deve ser normalizada quando compromete a qualidade de vida da mulher".
O médico alerta que o diagnóstico tardio impacta negativamente em diferentes aspectos na vida da mulher. Do ponto de vista físico, a doença pode evoluir causando inflamação crônica, aderências, comprometimento intestinal, urinário e dor persistente. "Emocionalmente, muitas pacientes enfrentam ansiedade, exaustão e sensação de invalidação após anos ouvindo que a dor era normal".
Segundo o especialista, a endometriose pode afetar a fertilidade, principalmente quando compromete ovários, trompas ou provoca alterações inflamatórias importantes na pelve. "Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de controle da doença e preservação da qualidade de vida".
A doença é caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, podendo atingir estruturas como ovários, peritônio — tecido que reveste internamente a cavidade abdominal — e região retovaginal, segundo artigo da SciELO Brasil. A análise destaca que o diagnóstico pode ser indicado por avaliação dos sintomas da paciente e por exames físicos, laboratoriais e de imagem.
Complexidade e tratamento cirúrgico
De acordo com o Dr. Victor Rodrigues, a doença passa a ser considerada um caso mais complexo quando há endometriose profunda, ou seja, lesões que infiltram estruturas além da superfície do peritônio. Segundo ele, outras situações consideradas graves ocorrem quando a doença atinge intestino, bexiga, ureteres, ligamentos pélvicos, nervos da pelve e, em casos mais raros, regiões fora da cavidade pélvica.
"São pacientes que frequentemente apresentam dor intensa, alterações funcionais importantes e necessidade de planejamento cirúrgico detalhado. A cirurgia costuma ser indicada quando há falha do tratamento clínico, dor persistente, comprometimento de outros órgãos, infertilidade associada ou suspeita de endometriose profunda", afirma o especialista.
O cirurgião pélvico ressalta que atualmente a abordagem minimamente invasiva, principalmente por videolaparoscopia, permite tratar a doença com maior precisão, melhor visualização anatômica e menor trauma cirúrgico. "Isso geralmente proporciona recuperação mais rápida, menor tempo de internação, menos dor pós-operatória, retorno precoce às atividades habituais e melhores resultados funcionais quando o procedimento é bem planejado".
Para o especialista, a principal orientação para mulheres que convivem há anos com dores intensas é não normalizar a dor e buscar avaliação especializada precocemente. Isso pode evitar sofrimento prolongado, reduzir complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida.
"Escutar o próprio corpo e buscar investigação adequada é fundamental. Muitas mulheres convivem durante anos com sintomas importantes, acreditando que fazem parte da rotina feminina, quando, na verdade, podem estar diante de uma doença progressiva", alerta o médico.
Um estudo publicado no periódico científico Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences reforça que o manejo ideal da endometriose exige um olhar integrado. Os pesquisadores apontam que, por ser uma condição inflamatória crônica e complexa, o sucesso no controle das dores crônicas e a recuperação da qualidade de vida das pacientes dependem diretamente de uma abordagem multidisciplinar, que combine o tratamento clínico especializado a estratégias de cuidado global com a saúde.
Para mais informações, basta acessar o site oficial do Dr. Victor Rodrigues: https://drvictorrodrigues.com.br/